Diz o caipira que cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém. É verdade. E quem sabe seja a hora de se levar o conselho a sério. Enquanto Europa e Estados Unidos mergulham de cabeça numa crise que ninguém até agora conseguiu dimensionar, nem precisar em que ponto se encontra, o Brasil nada de braçada, atravessando um dos períodos de maior crescimento econômico nos últimos anos.
Então, se nós vamos bem, por que ter cuidado? Porque simplesmente dizer que o problema não é nosso não é solução, é brincar de avestruz e enfiar a cabeça no chão. A crise internacional é forte, séria e vai deixar mortos e feridos.
Mesmo o aparente paradoxo não é tão paradoxal quanto parece. A crise no hemisfério norte é decorrência de uma gama de fatores que foram se acumulando ao longo do tempo, enquanto o desenvolvimento brasileiro é conseqüência de outra gama de fatores, que também foram se acumulando ao longo do tempo.
Lá, os fatores negativos foram se somando até explodirem num drama que pode arrastar as principais economias do mundo para uma crise bem mais profunda. Aqui, ao contrário, as ações desencadeadas desde a década de 1990 surtem seus efeitos positivos, levando o país a experimentar taxas de crescimento acima das esperadas pelos mais otimistas e a viver mudanças profundas em sua composição social.
É evidente que não temos que colocar o pé no breque porque as grandes economias encontram-se fragilizadas. Pelo contrário, quanto mais investirmos para aumentar nossa capacidade de produção e de geração de riquezas, melhor e mais inteligente.
Mas isso não pode ser feito de qualquer forma, sem levar em conta o cenário internacional, no qual, querendo ou não, estamos inseridos, e do qual, ainda que em menor escala do que outros países, também dependemos.
Para a atividade seguradora nacional, 2008 tem tudo para ser um grande ano. Mesmo porque, dada a dinâmica econômica para fins de crescimento, o ano já está fechado. Não tem mais como reverter os recordes de produção da indústria automobilística ou a safra agrícola. Também não tem como brecar do dia para a noite o ritmo de crescimento dos mais diversos setores.
Como o país vive um momento de aumento da renda da população, a demanda por produtos de seguros cresce também entre as pessoas físicas, e não apenas nas empresas.
Neste cenário, as preocupações passam longe do fechamento do ano. Mas será que 2009 já está fechado e terá o mesmo desempenho de 2008? Difícil prever. E mais difícil ainda entender o que está acontecendo no resto do mundo e em que grau podemos ser afetados pela deterioração contínua da saúde financeira das nações desenvolvidas.
É aí que o conselho do caipira adquire importância. Quando tubarão sai para nadar, baiacu fica na toca. Não é hora de colocar em risco os avanços sócio-econômicos do Brasil.
Se for possível tocar em frente com o pé em baixo, melhor, vamos lá. Mas se as nuvens no horizonte começarem a se adensar, então, um pouco de moderação pode ser a alternativa mais inteligente.
Eu sei que se conselho fosse bom a gente vendia. Por isso mesmo este artigo não é um conselho, mas um pensamento em voz alta.