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Antonio Penteado Mendonça
Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.
Considerações sobre a fusão do Itaú com o Unibanco

A criação do maior conglomerado financeiro do hemisfério sul, fruto da fusão dos grupos Itaú e Unibanco, não altera a ordem do ranking das seguradoras, nem a tendência do mercado, consolidada ao longo da última década.

O maior grupo segurador em operação no país continua sendo o Bradesco, enquanto a seguradora resultante da fusão mantém a segunda posição, que já era deles mesmo, fosse a Itaú ou a Unibanco que estivesse ocupando o segundo lugar, enquanto a outra era a terceira.

O dado novo é que a fusão dá mais músculo para a nova empresa competir em melhores condições, consolidando algumas posições importantes, ainda que já conquistadas por uma das duas companhias originais.

A nova companhia surge, sem dúvida nenhuma, como a principal seguradora de riscos empresariais de grande porte. Tanto a Itaú como a Unibanco já eram muito fortes no segmento, de forma que a união das duas cria uma empresa com musculatura suficiente para atuar no mercado internacional de resseguros, conseguindo condições diferenciadas para suas apólices.

De outro lado, a Bradesco preserva sua condição de maior de todas, ao passo que as demais colocadas no ranking devem ser analisadas em função das tendências para o futuro e não apenas em função do nome de cada companhia.

Faz tempo que o mercado passa por um processo de concentração, com as seguradoras ligadas a bancos e seguradoras estrangeiras ocupando um espaço que era tradicionalmente das seguradoras independentes brasileiras.

Entre as cinco maiores seguradoras em operação no Brasil apenas a Porto Seguro preserva a característica de seguradora independente brasileira, ou seja, sem ligação com bancos ou com grupos estrangeiros. As demais, como os dois maiores grupos seguradores nacionais, são ligadas a banco, ou como a quarta e a quinta, controladas por capital estrangeiro.

Este quadro vem se acentuando ao longo dos últimos 15 anos. Cada vez mais rapidamente, mais seguradoras em operação no Brasil vão desaparecendo em função da concentração do setor, adquiridas pelos conglomerados financeiros, como produto marginal da compra de bancos menores, ou pelas grandes seguradoras internacionais que decidiram investir no Brasil e que desde o início da década passaram a comprar seguradoras de todas as origens, fossem nacionais, estrangeiras, independentes ou ligadas a bancos.

De outro lado, novas formas de parceria vão surgindo, inclusive entre as seguradoras estrangeiras e os conglomerados financeiros. Agências vão se transformando em canais de distribuição para outras seguradoras que não as ligadas aos bancos. Os produtos de massa se diversificam, ganham sofisticação, alcançam novas camadas da sociedade.

De outro lado, seguradoras altamente especializadas entraram em setores até agora quase que inexplorados. Produtos como as apólices de garantia, de seguro de crédito e de seguros agrícolas atualmente são tratados por empresas especializadas, que, com a abertura do resseguro, passaram a contar com o suporte técnico e financeiro das grandes resseguradoras internacionais, o que lhes possibilitou aumentar o leque de opções à disposição dos segurados.

Dizer que a fusão do Itaú com o Unibanco não terá impacto sobre a atividade seguradora é desconsiderar o óbvio. Não há como o resultado desta união não afetar toda a vida econômica nacional, incluída aí a atividade seguradora.

O que não muda é o desenho básico, a tendência macro. No mais, o mercado está em plena efervescência, todas as portas estão abertas e quem tiver competência tem tudo para se estabelecer. Se de um lado o ano que vem é de crise econômica, de outro, é nas crises que surgem as grandes oportunidades.  Na sintonia fina, no dia a dia e no quem é quem, muita coisa vai mudar. E mais depressa do que parece.

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