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Antonio Penteado Mendonça
Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.
Vamos em frente que atrás vem gente

Todas as conversas que tive com executivos do setor de seguros sobre as expectativas para 2009 realçaram um elevado grau de preocupação, o que é diferente de pessimismo, já que o ano ser difícil não implica, necessariamente, que seja também ruim.

Que 2009 será um ano para arrancar leite de pedra ninguém mais duvida. Os primeiros indicadores estão aí e não são muito animadores. A começar pela taxa de retração da indústria, a maior nos últimos 13 anos, passando pelas expectativas do comércio, e terminando nas dispensas de funcionários, que já começaram, não há muita razão para se acreditar que o ano possa ser de crescimento econômico consistente.

Neste campo, é melhor deixar as expectativas para 2010, se Deus for bom.

Mas é aí que entra o desafio fascinante de navegar em águas turbulentas. De se atingir o porto seguro, incólume, mesmo atravessando uma forte tormenta. Os perigos estão de todos os lados, nos abrolhos que surgem inesperadamente do mar, nos ventos uivando no cordame, nas vagas gigantescas que varrem o convés da embarcação, no nevoeiro que não deixa ver em volta, na bússola que fica louca com as descargas magnéticas.

E mesmo assim o bom comandante leva o barco até o porto, sem perder passageiro ou tripulante, numa viagem segura, ainda que cercada de riscos e ameaças de todos os tipos.

2009 é o ano da tempestade. E a que temos pela frente é das bravas. Vai depender de cada comandante o rumo e a forma de navegar para cruzar a tormenta em relativa segurança e com o mínimo de dano. Com certeza não é empreitada para amadores. Pelo contrário, neste cenário, profissionalismo é essencial. Debaixo de tempo, o marinheiro de primeira viagem ou que navega apenas pela internet rapidamente perde o controle da embarcação, entra em pânico e naufraga.

Não será diferente para o setor de seguros. E o setor será afetado por mais de uma causa, nem todas diretamente interligadas.

Em primeiro lugar, evidentemente, está a desaceleração econômica. Na medida em que seguro é atividade de apoio, sem que haja o crescimento da economia não há como haver crescimento do setor. Sem novos bens para serem segurados o máximo que se consegue é manter em carteira os bens já segurados. E fazer isso, num momento difícil, pode ser uma grande vitória.

Mas há mais. A começar pela guerra de preços entre as companhias para roubar produção uma das outras. Prática nefasta? Sem dúvida, mas ocorrerá, com a mesma certeza que a lua cheia vem depois da lua crescente.

Além dela, a consolidação do sistema financeiro nacional, já em curso, e que deve se acelerar auxiliada pela crise, pode trazer situações inesperadas para players que se julgavam em posição confortável.

E a crise que corre solta no exterior, também deve afetar os negócios de seguros brasileiros. Em primeiro lugar pela diminuição da demanda por produtos nacionais, o que quer dizer menos seguros ao longo da cadeia exportadora. Em segundo, por conta da falta de crédito e pela má qualidade de determinados ativos que devem interferir nas operações de várias seguradoras e resseguradoras estrangeiras com subsidiárias no Brasil. E terceiro, pelas dificuldades enfrentadas pelo setor de resseguros que pode diminuir a capacidade de colocação de riscos do mercado como um todo, afetando diretamente os contratos para os riscos brasileiros.

Esta é a parte mais visível e previsível do cenário. E ela está longe de ser fácil. Mas traz dentro de si, como contrapartida para as dificuldades, a possibilidade de se ser criativo, de encontrar soluções inteligentes e inéditas para lidar com os problemas. Traz, enfim, a chance de se aproveitar o momento tormentoso para transformar barreiras e dificuldades em aliados importantes para superar as adversidades. Adversidades que, de uma forma ou de outra, são sempre passageiras. O que vale é agüentar, porque, depois da tempestade, sempre brilha o sol.  

Feliz 2009.

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