Home
:. home :. mapa do site
:. sindicato
:. empresas
associadas
:. biblioteca
:. notícias sindsegsp
:. informações
do setor
:. sala de imprensa
:. conhecendo
seguros,
previdência e
capitalização
:. estatísticas
:. agenda
:. fale conosco
:. links
  Sala de imprensa: Colunistas
   
Antonio Penteado Mendonça
Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.
O negócio é bom, o executivo nem tanto

A AIG acaba de publicar o maior prejuízo da história corporativa norte-americana. Mais de 60 bilhões de dólares, apenas no quarto trimestre de 2008, o que leva o saldo negativo para algo perto de 100 bilhões de dólares no ano passado.

O governo norte-americano, nem que não o quisesse, precisava salvar o grupo e o fez, aportando mais 30 bilhões de dólares, em excesso de mais de 100 bilhões anteriormente injetados. A razão é simples: a AIG responde pela garantia de trilhões de dólares segurados por ela, quando ainda era a maior seguradora do mundo e um exemplo de empresa eficiente e bem gerenciada.

A questão que se coloca é qual a participação acionária que o governo terá no final do processo de salvamento, não apenas dela, mas de várias outras empresas em que está injetando recursos públicos para tentar segurar a crise e salvar o que ainda dá para ser salvo.

Atualmente, esta participação é de 80% na AIG e mais de 30% no Citigroup. Como, além deles, já receberam recursos federais os dois grandes bancos imobiliários e pelo menos o Bank of America necessitará de mais capital, pode acontecer, na prática, o que a administração federal vem negando, ou seja, a estatização do sistema financeiro norte-americano.

Tem gente que defende que isso seja deliberadamente feito, o mais rapidamente possível. De outro lado, boa parte dos analistas encara a solução com preocupação, por avançar na contramão da tradição do país e significar um fortalecimento indesejado do governo, numa nação onde, tradicionalmente, o governo é fraco e a sociedade forte.

Mas será que dá para ser diferente? Na atual conjuntura, o importante é salvar o todo, ainda que o detalhe sendo importante, mas só depois da crise. Sob esta ótica, salvar bancos e seguradoras pode ser a única solução, não apenas nos Estados Unidos, mas na Europa e no Japão, onde a crise bateu forte e o sistema está seriamente ameaçado pela má gestão destas empresas nos últimos anos.

 O curioso no processo inteiro é que as operações bancárias e, principalmente, a operação de seguros da AIG, não são os responsáveis diretos pela derrocada impressionante de empresas que, como ela e o Citigroup, valiam, na Bolsa de Nova Iorque, mais de 200 bilhões de dólares cada, até pouco mais de um ano atrás.

O que quebrou a AIG foi a aplicação irresponsável do dinheiro ganho com seguro e outras atividades empresariais altamente rentáveis, como leasing de aeronaves, feita por executivos contratados para gerenciar a corretora do grupo e, consequentemente, seus investimentos.

Ainda que atravessando uma maré negativa em boa parte dos países ricos, a atividade seguradora continua sendo um negócio com futuro, sólido e capaz de remunerar o capital investido.

Para que isso volte a ser verdade, é preciso limpar o que está ruim, retirar da cesta as maçãs podres e dar para as empresas saudáveis as condições indispensáveis para ocupar os espaços deixados em branco pela quebra ou diminuição da atividade das empresas irresponsáveis que comprometeram seu futuro correndo riscos financeiros inaceitáveis.

De outro lado, a recuperação das empresas em que os governos estão intervindo ou auxiliando também é uma medida inteligente, na medida em que, saneadas, depois da crise, podem ser revendidas nas bolsas de valores, minimizando as perdas decorrentes de seus resgates.

Enfim, o que precisa ficar claro, é que a crise não foi decorrência da má aceitação de riscos pelas seguradoras. A crise é a resposta lógica do mercado para investimentos mal feitos, com o objetivo primordial de inflar lucros e aumentar os bônus pagos aos executivos destas empresas. É isto que não pode voltar a acontecer.

:. topo .::. voltar ao índice de colunistas .:
 
:. Notícias
:. Notícias anteriores
Data
Palavra-chave
:. Artigos
:. Colunistas
:. Assessoria de
imprensa
:. Fórum
:. Chat