A crise está aí e é mais profunda do que parecia. Não por culpa do Brasil, mas por conta do que acontece no mundo, onde as economias mais importantes estão em franca recessão.
No país, ela está pegando principalmente a indústria, mas a tendência é que se espalhe para os outros setores da economia, puxada pelo desemprego e pelo desaquecimento econômico.
É verdade que o governo está fazendo sua parte e uma série de ações já implementadas têm tido sucesso, fazendo com que os estragos aqui sejam menos graves do que nos países ricos.
Lamentavelmente, mesmo com elas, estudos sérios mostram que dificilmente conseguiremos fechar o ano com crescimento positivo. Se ficarmos no zero a zero estará de bom tamanho.
Neste cenário, não tem como a atividade seguradora imaginar que é possível se descolar do resto da economia e crescer, como vinha acontecendo nos últimos anos. Isto não deve acontecer. Todavia, não está claro em que medida o impacto da crise afetará os negócios, principalmente no campo dos seguros de massa, onde se concentra o grosso do faturamento da atividade.
Diz o ditado que a união faz a força. E é nas horas de crise que ele se torna mais verdadeiro. É mais fácil atravessar uma tormenta com todos remando para o mesmo lado. Quando cada um pensa em se salvar, pouco se lixando para os outros, normalmente a vaca vai para o brejo e perdem todos.
O momento exige bom senso, sangue frio, competência e união de forças.
Da mesma forma que os corretores de seguros dependem das seguradoras, as seguradoras dependem dos corretores de seguros. Estes laços indissolúveis exigem dos dois lados um pouco de capacidade de entrega. De que ambos abram mão de exigir todas as vantagens; que se proponham a repartir custos, a reduzir despesas, a ganhar mais eficiência e assim preservarem os seus clientes, bem como somar esforços para captar novas contas.
Ao longo dos últimos anos as seguradoras e os corretores de seguros mudaram de patamar profissional. Atualmente o mercado funciona em outro nível de competência técnica, muito diferente do que havia até quinze anos atrás.
Ao longo deste tempo aconteceu um aprimoramento importante das capacidades gerenciais dos dois lados. Tanto corretores, como seguradores adotaram novos padrões, que levaram o setor a crescer significativamente.
Se a crise traz com ela a certeza de que o ano será difícil e que o desempenho total, no máximo, empatará com o do ano passado, de outro lado, ela traz também a oportunidade da consolidação ou mesmo da criação de vínculos profissionais, de parcerias que, se acontecerem, podem deixar os participantes em situação privilegiada para fazer frente à crise e, mais ainda, para o depois dela.
Não há crise que não acabe. E esta não será diferente. Então, neste momento, as seguradoras e os corretores precisam se preparar para dois tipos de ações: uma para o dia a dia dentro da tormenta e, outra, para quando ela for embora.
Quem estiver remando junto, com certeza, desde agora, já está levando vantagem.