Alguns indicadores apontam para uma recuperação mais rápida do que esperada da economia brasileira. Ainda que dados consistentes, estes números não são tidos como absolutamente confiáveis pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Segundo ele, ainda faltam alguns movimentos mais fortes no resto do mundo para o Brasil poder se sentir livre da crise e de seus impactos.
De outro lado, ainda que com as últimas análises indicando que cessou a queda, o desempenho da indústria no primeiro semestre de 2009 foi dos piores nos últimos 15 anos.
Além disso, a taxa de desemprego, ou de emprego formal concretizado, em comparação com o primeiro semestre de 2008 também aponta uma sensível piora do quadro, ainda que o agronegócio e o setor de serviços contratando positivamente.
É neste universo que qualquer análise sobre o desempenho da atividade seguradora deve ser feita. Não é possível relegar estas informações para se pautar apenas em “achismos” na busca das respostas para o que teremos pela frente, no curto prazo.
De forma geral, as dificuldades estão muito mais no curto prazo do que nos prazos mais longos. Pelo que se vê nas publicações sobre a crise mundial, parece que ela já atingiu o fundo do poço. Ou seja, daqui para frente Estados Unidos, Europa e Japão devem lentamente começar um movimento de retomada da atividade econômica.
Se fosse possível dizer em quanto tempo as turbinas estarão aquecidas, seria fácil definir o que deve acontecer no Brasil. Mas a aceleração internacional ainda depende de fatores incontroláveis, por mais que os governos e os organismos internacionais tentem interferir para trazer o trem para os trilhos novamente.
Desde a época em que eu era executivo de seguradora, sempre preferi comemorar a boa surpresa a ter que justificar a decepção. Por conta disso, ainda que com alguns analistas econômicos prevendo um eventual crescimento positivo já em 2009, me parece mais razoável seguir as projeções mais conservadoras, que apontam para uma queda de até pouco mais de 1% no PIB deste ano.
O setor de seguros no Brasil está fortemente vinculado à industrialização do país. Desconsiderar esta realidade é não entender porque São Paulo tem a participação que tem no faturamento total da atividade. Não fosse o Estado o grande motor industrial do país, ou houvesse aqui uma maior dependência econômica do agrobusiness, com certeza estes números seriam menos expressivos.
Neste contexto, não é possível imaginar que 2009 será um grande ano para as seguradoras e seus parceiros de atividade econômica. Ainda mais quando levamos em conta que a queda dos juros deve impactar bastante o resultado final de carteiras como a de seguros de automóveis, onde o resultado das aplicações dos prêmios tem peso no resultado da última linha.
Agora mesmo o mercado acusa um movimento de realinhamento dos prêmios destes seguros, mas, ainda que ele se consolide, pelas características do negócio, onde o prêmio é parcelado, os resultados positivos só aparecerão em 2010.
Enquanto isso, volto a insistir, é hora de fazer a lição de casa e se preparar para a retomada econômica que fatalmente virá, trazendo, muito provavelmente, uma época rara de desenvolvimento social para o Brasil.
Dizem que, se conselho fosse bom, a gente os venderia, o que não é o caso. O parágrafo acima tem muito mais de bom senso que de conselho. A visão acima vale para todos: seguradores, corretores, resseguradores, prestadores de serviços e segurados.