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Acaba de acontecer no Rio de Janeiro a Segunda Conferência Brasileira de Resseguros. A primeira, no ano passado, foi um evento interessante porque serviu de campo experimental para seguradores, resseguradores, autoridades e demais envolvidos com o assunto se conhecerem, se tatearem, descobrirem posições, trocarem informações, enfim, abrir um diálogo inédito, com foco no mercado de resseguros brasileiro funcionando sem o monopólio do IRB. O evento deste ano foi além. Reuniu mais gente, e gente mais expressiva, deixando claro que o Brasil é um mercado importante para os grandes resseguradores e que os grandes resseguradores são parceiros importantes para os seguradores brasileiros. Quem sabe o desenho tenha pecado pelo preço elevado cobrado dos participantes e por um excesso de palestras, o que restringiu os encontros para contatos e as possibilidades concretas de se fechar negócios, mas mesmo isso não impediu o contato direto entre os participantes. Entre as palestras proferidas, merecem destaque duas. Uma, feita pelo senhor Leonardo Paixão, da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e outra, desenvolvida pelo Senhor Ronald Kaufmann, diretor da Scor do Brasil, braço nacional de uma importante resseguradora internacional. A palestra do representante do Ministério da Fazenda foi instigante por analisar e abrir um campo pouco pensado como possibilidade de expansão dos negócios de resseguros no país. Os fundos de pensão, que são, pelo menos em total de ativos, os detentores de uma das mais expressivas participações na poupança nacional, podem ser clientes das resseguradoras, através da transferência de algumas de suas responsabilidades para estas empresas, o que diminuiria a exposição a riscos, além de lhes dar mais flexibilidade, por um custo menor. É bem verdade que, conforme apontado pelo palestrante, existem algumas dúvidas legais para a operacionalização destas transferências. De outro lado, a solução de utilizar uma empresa seguradora para fazer “fronting” para uma resseguradora, atualmente, é vista com reservas, em função do risco de crédito envolvido. Mas a idéia pode ser aprofundada e, se for o caso, através de uma pequena modificação da lei, implementada com vantagens evidentes para os fundos de pensão, para as resseguradoras e, principalmente, para os participantes dos fundos. Já a palestra de Ronald Kaufmann foi interessante por colocar na mesa a possibilidade da substituição dos PGBL’s e VGBL’s, atualmente os produtos líderes da atividade seguradora, por produtos de acumulação de outra geração, mais modernos e mais adequados ao momento econômico que atravessa o mundo e que coloca o Brasil em evidência, pelo aumento expressivo do número de pessoas que ingressam na classe média. Ou seja, pelo surgimento de uma poupança inédita e dinâmica, mas com características diversas da poupança tradicionalmente feita no país. Além da parte conceitual e científica da Conferência, ainda que um pouco prejudicados pelo excesso de palestras, os contatos entre os participantes também foram importantes. Afinal, não há nada melhor que o velho olho no olho para facilitar relacionamentos, aparar arestas e abrir portas para novos negócios e parcerias que dificilmente se concretizariam apenas por telefone ou e-mail. A grande lição que fica da Segunda Conferência Brasileira de Resseguros é que a terceira, no ano que vem, pode consolidar este evento como uma data importante dentro do calendário internacional de seguros e resseguros. Todavia, para que isso realmente aconteça, são necessárias algumas mudanças no desenho da Conferência. Antes de tudo é preciso que ela se torne palco para o fechamento de negócios. Assim, mudanças que passam pela forma de custeio, pelo preço cobrado dos participantes e, mais importante que tudo, pela diminuição do número de palestras, para que haja mais tempo para troca de informações técnicas, através de debates em cima dos temas apresentados, e para o contato pessoal entre os delegados, são indispensáveis para o seu sucesso. |