De 2008 para cá a atividade seguradora atravessa um período no mínimo rico em experiências, tanto no Brasil, como no resto do mundo. Começando pelo mundo, a crise econômica em 2008 bateu forte no setor. Não foi apenas a AIG quem sentiu seus reflexos na pele. Dezenas de outras seguradoras e resseguradoras tiveram dificuldades sérias, com algumas apresentando prejuízos pela primeira vez, em mais de um século de existência. Ao mesmo tempo em que o tsunami financeiro varria o planeta, o Brasil quebrava o monopólio do resseguro e abria este segmento para as empresas que se habilitassem a operar por aqui, desde que respeitassem as regras impostas para esta atividade. Muito por conta da crise, e um pouco por decisões estratégicas, no primeiro momento foram poucos os grupos que se interessaram em abrir resseguradoras locais para desfrutar de todas as vantagens oferecidas para este tipo de empresa, a começar pelo direito de reterem 60% dos resseguros gerados no país. Não é pouco, mas este percentual não foi suficiente para superar a crise e colocar uma cenoura na frente das resseguradoras, o que fez com que apenas meia dúzia de empresas estivessem registradas como resseguradoras locais no final de 2008. Mas o mundo anda rápido e, ao longo de 2009, a atividade seguradora internacional teve capacidade para refazer suas margens, com boa parte dos grandes grupos ganhando dinheiro no balanço do final do exercício. O resultado disso, é que no resseguro há excesso de capacidade e o mercado está, surpreendentemente, “soft”, ou seja, há excesso de dinheiro e, portanto, os preços estão deprimidos. De outro lado, no mercado segurador brasileiro também aconteceram e continuam acontecendo modificações profundas, que estão levando a um redesenho do setor. De concreto é possível dizer que os grandes conglomerados financeiros estão consolidados como os grandes players em seguros, com Banco do Brasil, Bradesco e Itaú já claramente posicionados dentro do mercado. Ainda faltam Santander, HSBC e Caixa decidirem o que querem fazer e como. Mas, com certeza, eles não ficarão de fora. Com este desenho, faz sentido, em função da estrutura do negócio, que estes grupos não se interessem, como prioridade número um, pelos seguros de grandes riscos. Vale dizer, estes seguros devem ser feitos por companhias nacionais e estrangeiras especializadas em assumi-los e que devem atuar em parceria estreita com uma ou mais resseguradoras para terem capacidade e tecnologia para fazer frente a eles. Quase que complementarmente, desde janeiro o percentual obrigatório a ser cedido para as resseguradoras locais caiu de 60% para 40% dos resseguros gerados no país. O resultado, na outra ponta, é que as resseguradoras admitidas estão muito mais agressivas e alguns grupos com seguradoras no Brasil abriram ou estão abrindo resseguradoras locais para atuarem nos resseguros gerados por eles. Ainda não está claro qual o futuro do IRB Brasil Re, herdeiro do antigo Instituto de Resseguros do Brasil e ainda o ressegurador local mais importante em atividade no país. O fato é que nos últimos anos ele perdeu participação, o que era de se esperar, mas não na velocidade em que aconteceu. Quem conhece a companhia por dentro diz que muito disso ocorreu por conta das regras aplicáveis às empresas estatais brasileiras, que dificultam sobremaneira a gestão eficiente do IRB. Há um movimento evidente do Governo no sentido de transferir suas ações do ressegurador para o Banco do Brasil e assim concluir também o seu processo de privatização, seja com participação de Bradesco e Itaú, que já são grandes acionistas, seja através de outro desenho. De qualquer forma, ainda que estes movimentos não estejam completamente dimensionados, o que é certo é que, até o final de 2010, a atividade seguradora internacional terá mudanças importantes. E o mesmo deve ocorrer por aqui. Quem estiver preparado para elas tem tudo para dar certo já em 2011. |